Raízes. Meus bisavós maternos foram imigrantes vindos da Rússia e se estabeleceram na Zona Leste de São Paulo no início do século XX. Cresci sem muita referência sobre a língua e a cultura, alguns poucos pedaços de conhecimento que buscava aqui e ali. Uma das tantas histórias que ouvi contava que meu tataravô era uma espécie de zelador da Igreja Ortodoxa vizinha à sua casa e que, muitas vezes, após as missas os conterrâneos e parentes se reuniam ali.
Tenho um interesse muito grande e um impulso por conhecer minhas origens e raízes e pouco tempo atrás acompanhei um missa Pascal nessa mesma região e nessa mesma igreja. Estas imagens são parte dessa experiência.
Roots. My maternal great-grandparents were immigrants from Russia and settled in the Eastern Zone of São Paulo in the early twentieth century. I grew up without much reference to language and culture, a few pieces of knowledge I sought here and there. One of the stories I heard told me that my great-great-grandfather was a kind of caretaker of the Orthodox Church next to his house and that often after the masses the russians and relatives gathered there.
I have a great interest and an impulse to know my origins and roots and a short time ago I accompanied a Pascal mass in this same region and in that same church. These images are part of this experience.
#Пасха #Христосвоскрес
#Бразилия (em São Paulo, Brazil)
Jairo Castillo, de uma família de sapateiros de Caracas, aprendeu na rua a sobreviver. Hoje, vive na pequena Mene Grande. Lá ensina boxe para jovens. Tudo começou quando ele resolveu ensinar os movimentos a cinco jovens que sofriam com a violência doméstica. Acredita que a educação formal é incapaz de formar alguém para vencer na vida, segundo ele o aprendizado advindo da família e da escola de nada servem se não forem colocados à prova no mais importante dos ringues: a rua. Ele, orgulhosamente, conta que foi esta que lhe deu as manhas para segurar os jabs e diretos que a vida lhe aplicava e atesta: “um boxeador tem que se sentir feliz quando golpeado, ao se sentir raivoso perde a capacidade de raciocinar e agir da forma mais adequada para cada situação”. Ele repete sempre aos seus alunos: “se você se cuida, não será atingido”. ► Fazer esporte é fazer pátria. Esse é um lema bastante difundido pela Venezuela e Jairo partilha deste ideal. “O esporte nos motiva e nos pode levar a melhores condições”. Revolucionário por autodefinição e “capaz de morrer por Chávez” conta que um dos mais duros golpes que já sofreu veio daqueles que justamente julgava aliados. Empenhou-se para ajudar a eleger o prefeito local do mesmo partido do presidente e quando venceram pensou: “agora o boxe vai se desenvolver por estes lados, vou ter equipamentos e apoio”. Recebeu, segundo ele por ordem do presidente, os equipamentos que precisava na condição de empréstimo. Batalhou ainda, sem sucesso, por um cargo público na área de esportes. Fazia turno duplo, trabalhava como vigilante e como assistente na prefeitura. Com o pequeno ringue e alguns equipamentos seguiu com suas aulas, mas bastou um desentendimento pessoal com o poder para que lhe tomassem toda a infraestrutura. As aulas já não seguem mais, mas a maior de suas lutas segue sendo a busca por uma casa própria, inscrito em programas do governo desde 1992, Castillo conta que cansado de esperar, aos poucos vai construindo sua casa, que agora ocupa o lugar do antigo barraco de madeira e lata que pegou fogo. Segue sua luta, entre contradições pessoais e políticas de seu país. Mas não se esquece: se você se cuida, não será atingido. (em Mene Grande, Zulia, Venezuela)